← Biblioteca técnica

Análises

Principais erros na análise da água da piscina: o resultado está correto?

A análise pode parecer simples: coletar a água, adicionar o reagente e observar o resultado. Entretanto, pequenos erros durante o procedimento podem produzir valores maiores ou menores que os reais e levar a uma dosagem desnecessária. Antes de corrigir a água, é preciso ter certeza de que a medição representa a piscina.

8 min de leitura
Comparador e reagentes utilizados na análise da água de piscina

1. Utilizar reagentes vencidos ou mal armazenados

Calor, luz solar, umidade, vapores de produtos químicos e contato com o ar podem alterar os reagentes. O problema é que nem sempre essa alteração fica evidente. A análise continua produzindo uma cor, mas o resultado pode não representar a concentração real.

Mantenha o kit protegido do sol e separado dos produtos usados no tratamento. Feche os frascos logo após o uso, verifique a validade e descarte o reagente se houver mudança de cor, partículas em suspensão ou alteração de aparência.

Também não misture reagentes de fabricantes ou kits diferentes. Um reagente pode ter sido formulado para outro volume de amostra, outra cubeta ou outro caminho óptico. O nome pode ser parecido, mas a concentração pode ser diferente.

2. Coletar uma amostra que não representa a piscina

Coletar junto ao retorno pode mostrar uma água que acabou de receber desinfetante ou corretivo de pH. Coletar apenas na superfície também pode não representar a água utilizada pelos banhistas.

Como referência operacional, o manual recomenda coletar a pelo menos 45 cm abaixo da superfície e longe dos dispositivos de retorno. Em piscinas maiores ou com suspeita de circulação deficiente, pode ser necessário comparar mais de um ponto.

O local, o horário e a condição de uso também fazem parte do resultado. Uma medição realizada antes da abertura não substitui a avaliação no período de maior ocupação.

  • Colete longe dos retornos e dos pontos de dosagem
  • Evite retirar apenas a água da superfície
  • Registre ponto, horário e condição de uso
  • Compare diferentes locais quando houver suspeita de má circulação

3. Errar o volume da amostra

Esse foi o tema da primeira postagem da série. O volume da amostra faz parte do método. Se a cubeta recebe menos água que o indicado, a mesma quantidade de reagente ficará mais concentrada. Se recebe água em excesso, o reagente será diluído em um volume maior.

A leitura deve ser feita com a linha de enchimento na altura dos olhos. Quando houver menisco, alinhe a parte inferior da curvatura com a marca indicada no recipiente. Não use as escalas de cloro ou pH como se fossem marcas de volume: elas servem para comparar o resultado, não para definir a quantidade de amostra.

4. Inclinar o frasco durante a adição das gotas

O frasco conta-gotas deve permanecer na posição vertical. Quando ele é inclinado, o tamanho da gota pode mudar e a quantidade de reagente adicionada deixa de corresponder ao método.

Esse erro tem impacto direto nas titulações de alcalinidade e dureza, pois o resultado é calculado a partir do número de gotas. Também pode alterar testes colorimétricos que utilizam uma quantidade fixa de reagente.

Não encoste a ponta do frasco na amostra e verifique se o gotejador está limpo e sem rachaduras.

5. Não misturar corretamente ou errar o ponto final

Na titulação, a amostra deve ser homogeneizada após cada gota. Sem mistura adequada, podem surgir zonas com maior concentração do titulante e uma mudança de cor que não representa o ponto final.

Observe uma mudança de cor permanente. Continue adicionando o titulante até que uma nova gota não provoque alteração adicional e não conte essa última gota. Usar como ponto final uma cor intermediária ou que desaparece após alguns segundos altera o resultado.

6. Fazer a comparação de cor com iluminação inadequada

Nos comparadores visuais, a iluminação e a percepção de quem realiza o teste fazem parte da medição. Luz fluorescente, sol direto, fundo colorido ou sombra intensa podem alterar a comparação entre a amostra e a escala.

Faça a leitura com o comparador na altura dos olhos, usando luz natural indireta e mantendo o sol atrás de você. Em ambientes internos, utilize uma fonte de luz apropriada que simule a luz do dia. Quando houver dificuldade para diferenciar tonalidades, um fotômetro pode reduzir a subjetividade, desde que esteja limpo, calibrado e seja operado corretamente.

7. Ignorar interferências e resultados falsos

Todo método possui uma faixa de medição e possíveis interferências. No método DPD, uma concentração muito elevada de cloro pode descolorir o reagente e produzir uma leitura baixa ou até aparentemente igual a zero. Isso pode levar o operador a adicionar ainda mais cloro em uma água que já está com concentração excessiva.

Valores extremos de pH, turbidez, cor, metais e oxidantes diferentes do analito também podem interferir, dependendo do método. Quando o resultado não combina com o histórico da piscina, repita a análise, verifique a faixa do kit e consulte as instruções do fabricante antes de tomar uma decisão.

A diluição somente deve ser usada quando o método permitir. Ela pode ampliar a faixa de testes quantitativos, mas não deve ser aplicada ao pH, pois a água usada na diluição possui seu próprio pH e modifica a amostra.

8. Contaminar a cubeta ou deixar resíduos da análise anterior

Cubetas manchadas, tampas trocadas, resíduos de reagentes e dedos na área de leitura podem interferir na comparação visual ou fotométrica. Após cada análise, lave os recipientes conforme a orientação do fabricante e deixe-os em condição adequada para o próximo uso.

Antes de iniciar, enxágue a cubeta com a própria água da amostra quando o procedimento assim determinar. Não devolva à piscina a água que recebeu reagentes.

Antes de corrigir a água, confirme a análise

Um resultado isolado não deve ser interpretado sem contexto. Compare com medições anteriores, condição da piscina, produtos aplicados, quantidade de usuários e funcionamento da circulação. Se o valor for inesperado, repita o teste com técnica controlada.

A qualidade do tratamento depende da qualidade da medição. Corrigir a água com base em um resultado errado pode aumentar custos, causar desequilíbrio químico e criar riscos para os usuários e para os equipamentos.

  • O ponto e o horário de coleta foram adequados?
  • O reagente está válido e bem armazenado?
  • O volume da amostra está correto?
  • O frasco foi mantido na vertical?
  • A iluminação e o tempo de reação foram respeitados?
  • O resultado está dentro da faixa do método?

Referências técnicas

Fontes consultadas para este conteúdo:

Em resumoAntes de adicionar qualquer produto, confirme se a amostra, o reagente e a execução do teste estavam corretos. Uma dosagem calculada a partir de uma análise errada também estará errada.

Conteúdo educativo. A operação deve respeitar o fabricante dos produtos e equipamentos, o responsável técnico e as exigências sanitárias aplicáveis à instalação.

Orientação especializada

A teoria explicou, mas o problema continua?

Uma consultoria técnica pode identificar a causa e organizar o plano de correção.

Falar com o químico
WhatsApp