Piscina de sal também é uma piscina clorada
O gerador utiliza cloreto de sódio dissolvido na água. Quando a solução passa pela célula eletrolítica, a corrente elétrica promove reações que resultam na formação das espécies responsáveis pela desinfecção, principalmente ácido hipocloroso e íon hipoclorito.
Portanto, o processo não elimina o cloro. Ele muda a forma de fornecimento: em vez de transportar e adicionar continuamente hipoclorito de sódio, a instalação produz o desinfetante a partir do sal. A água continua precisando de residual, controle de pH, circulação, filtração e acompanhamento da carga de banhistas.
Essa distinção é importante porque expressões como “piscina sem cloro” podem criar uma expectativa errada. O conforto e a segurança não dependem apenas da origem do desinfetante, mas da forma como todo o processo é operado.
Como o estudo realizou a comparação
As pesquisadoras Caroline Granger e Susan Richardson acompanharam uma piscina comunitária interna, com volume estimado de 263,3 mil litros, na Carolina do Sul. A primeira coleta foi realizada quando a desinfecção utilizava hipoclorito de sódio líquido a 12%. Duas novas coletas foram feitas depois da instalação de um gerador de cloro.
O trabalho quantificou 60 subprodutos de desinfecção, conhecidos como DBPs. Essas substâncias podem ser formadas quando o desinfetante reage com matéria orgânica e contaminantes introduzidos na piscina pelos usuários, como suor, urina e resíduos de produtos corporais.
Também foi calculada a citotoxicidade e a genotoxicidade associadas aos compostos medidos, usando índices obtidos em ensaios com células. Esse cálculo ajuda a comparar o perfil das amostras, mas não representa uma medição direta de doença ou risco clínico nos banhistas.
- Uma piscina interna foi acompanhada
- Houve uma coleta com hipoclorito de sódio
- Houve duas coletas após a instalação do gerador
- Foram avaliados 60 subprodutos de desinfecção
A quantidade total aumentou, mas a toxicidade calculada diminuiu
Após a implantação do gerador, a concentração média total dos subprodutos medidos aumentou 15%. Esse crescimento foi principalmente associado aos ácidos haloacéticos. Portanto, não seria correto afirmar que o gerador simplesmente reduziu a formação de DBPs.
Ao mesmo tempo, a citotoxicidade calculada diminuiu 45% e a genotoxicidade calculada caiu 15%. A aparente contradição tem uma explicação: diferentes subprodutos apresentam potências tóxicas diferentes. Somar apenas as concentrações não informa sozinho o impacto potencial do conjunto.
O estudo reforça uma ideia importante para a gestão da piscina: quantidade total e perfil químico são informações diferentes. Uma água pode apresentar maior concentração de determinadas classes e, ainda assim, menor toxicidade calculada, dependendo dos compostos que passaram a predominar.
- DBPs totais: aumento médio de 15%
- Citotoxicidade calculada: redução de 45%
- Genotoxicidade calculada: redução de 15%
O cloro residual e a carga de banhistas também mudaram
A amostra com hipoclorito de sódio apresentava cloro residual de 6,1 mg/L. Nas coletas realizadas com o gerador, os residuais foram 3,2 e 2,0 mg/L. A última coleta ocorreu após uma aula com aproximadamente oito a dez participantes e apresentou a maior concentração total de DBPs, apesar de ter o menor residual de cloro.
Isso mostra por que o resultado não pode ser atribuído somente ao equipamento. A concentração de desinfetante, a quantidade de usuários, o horário da coleta, a turbulência e a ventilação interferem na formação, acumulação e transferência dos subprodutos entre a água e o ar.
No caso dos trihalometanos, por exemplo, a concentração foi maior na coleta com cloro convencional. Porém, essa mesma amostra tinha residual muito mais elevado. Como os trihalometanos são voláteis, a movimentação da água e a ventilação da piscina interna também influenciam a comparação.
A impureza do sal aumentou os subprodutos bromados
A análise do cloreto de sódio utilizado no gerador encontrou aproximadamente 0,05% de brometo. Pode parecer pouco, mas, na salinidade utilizada em piscinas, essa impureza acrescenta uma quantidade relevante de brometo à água.
Depois da mudança para o gerador, os subprodutos bromados aumentaram 73%. O crescimento foi conduzido principalmente pelo ácido bromocloroacético, cuja concentração média aumentou 268% em relação à amostra com hipoclorito de sódio.
Esse resultado não significa que todo sal produzirá o mesmo efeito. Ele mostra que a qualidade do insumo precisa fazer parte da decisão técnica. O sal não deve ser avaliado apenas pelo preço, granulometria ou velocidade de dissolução. Pureza e presença de haletos, especialmente brometo, podem alterar o perfil dos subprodutos formados.
- Solicite especificação e procedência do sal
- Evite produtos sem controle de pureza
- Considere impurezas na avaliação técnica, não apenas o teor de NaCl
- Registre o lote quando houver investigação de alterações na água
Mais tecnologia não elimina a necessidade de controle
O gerador pode facilitar a dosagem contínua e reduzir a manipulação frequente de soluções concentradas. Porém, ele não mede sozinho a demanda da água, não remove contaminantes e não corrige falhas de circulação ou filtração.
A produção de cloro precisa ser compatível com o volume da piscina e com os períodos de maior uso. A célula também exige inspeção, limpeza e acompanhamento, pois incrustação, desgaste e alterações de vazão podem reduzir o desempenho.
O operador continua precisando medir cloro livre, cloro total ou combinado, pH e os demais parâmetros definidos no plano de controle. Em piscinas coletivas, a resposta à carga de banhistas e o registro das ocorrências continuam sendo indispensáveis.
O que realmente reduz a formação de subprodutos
O estudo destaca que manter um residual adequado é tão importante quanto limitar a carga de contaminantes introduzida pelos usuários. Suor, urina e outros compostos nitrogenados participam da formação de subprodutos, especialmente os nitrogenados, que contribuíram de forma relevante para a toxicidade calculada.
Antes de procurar um equipamento como solução isolada, reduza a entrada de precursores e melhore a operação. Banho antes de entrar, orientação aos usuários, renovação de água, filtração eficiente e ventilação adequada em ambientes internos atuam em pontos que o gerador não resolve.
Também não faz sentido trabalhar com residual excessivo para compensar uma operação deficiente. A meta deve ser manter a desinfecção dentro das exigências aplicáveis, responder à demanda e evitar oscilações desnecessárias.
- Controlar a carga de banhistas e os horários de maior uso
- Estimular o banho antes da entrada na piscina
- Manter filtração, circulação e renovação de água adequadas
- Garantir ventilação eficiente em piscinas internas
- Ajustar a produção de cloro à demanda medida
- Evitar residual excessivo e corrigir a causa do consumo
O que podemos concluir — e o que ainda não podemos
O estudo oferece uma comparação detalhada e pouco comum, porque mediu 60 subprodutos na mesma piscina antes e depois da mudança do sistema. Ainda assim, foi realizado em uma única instalação, com apenas três eventos de coleta e condições operacionais diferentes.
Por isso, o trabalho não prova que todo gerador de cloro produzirá uma água mais segura, nem que o hipoclorito líquido será sempre pior. Ele mostra que a mudança do sistema alterou o perfil dos subprodutos naquela piscina e que residual, carga de usuários e qualidade do sal tiveram papel importante.
A escolha entre gerador e produto comercial deve considerar projeto, capacidade de produção, custo total, manutenção, qualidade dos insumos, segurança operacional e possibilidade de controle. O equipamento muda a forma de produzir cloro. A qualidade da água continua dependendo da gestão.
Referências técnicas
Fontes consultadas para este conteúdo:
Conteúdo educativo. A operação deve respeitar o fabricante dos produtos e equipamentos, o responsável técnico e as exigências sanitárias aplicáveis à instalação.

